Ame algo mais elevado, algo maior, algo no qual você se perderá e que não possa controlar; você pode ser possuído por ele, mas não pode possuí-lo. Então o ego desaparece, e, quando o amor não tiver ego, ele será prece. Osho
Photobucket Apenas um raio de sol é suficiente para afastar várias sombras. São Francisco de Assis

quinta-feira, 14 de julho de 2011




“A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas,
que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas”.
  Manoel de Barros


“Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre
as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios ”. 
 
(Manoel de Barros)




Deus disse:
Vou ajeitar a você um dom:
Vou pertencer você para uma árvore.
E pertenceu-me.
Escuto o perfume dos rios.
Sei que a voz das águas tem sotaque azul.
Sei botar cílio nos silêncios.
Para encontrar o azul eu uso pássaros.
Só não desejo cair em sensatez.
Não quero a boa razão das coisas.
Quero o feitiço das palavras.

Manoel de Barros



“Eu queria crescer pra passarinho”. 
 
Manoel de Barros



“E agora o que fazer com essa manhã
desabrochada a pássaros?”

Manoel de Barros



 Desenho feito por Manoel de Barros 


Poesia é voar fora da asa.

Manoel de Barros



... A cortina que separa as minhas
canções das tuas por um momento
esvoaçou ao vento. Então vi que a luz
da tua manhã estava repleta das canções
mudas que eu jamais cantei... Pensei
que as aprenderia aos teus pés, e
sentei-me, em silêncio...


Rabindranath Tagore


Desejo dizer-lhe as palavras mais profundas,
mas não me atrevo, porque temo sua gozação.
Por isso, acho graça de mim mesmo
e transformo em brincadeiras meus segredos.
 
Rabindranath Tagore





És ao mesmo tempo o céu e o ninho.

Meu belo amigo, aqui no ninho,
o teu amor prende a alma
com mil cores,
cores e músicas.

Chega a manhã,
trazendo na mão a cesta de oiro,
com a grinalda da formosura,
para coroar a terra em silêncio!

Chega a noite pelas veredas não andadas
dos prados solitários,
já abandonados pelos rebanhos!
Traz, na sua bilha de oiro,
a fresca bebida da paz,
recolhida
no mar ocidental do descanso.

Mas onde o céu infinito se abre,
para que a alma possa voar,
reina a branca claridade imaculada.
Ali não há dia nem noite,
nem forma, nem cor,
nem sequer nunca, nunca,
uma palavra!

Rabindranath Tagore



 Claude Theberge
 
 
 
Roubo do hoje a força
Fazendo nascer o amanhã.
Da janela acompanho com olhar
As nuvens do céu.
De novo a sombra sinistra
Tolda tristemente meus sonhos.
Tua imagem me acompanha
Por todos os lugares por onde ando.
E em todos os momentos
É a tua presença que espanta
As brumas do desconhecido.
Não faço perguntas.
Tenho medo das respostas que já sei.
Liberta do invólucro físico
Devolverei a matéria ao pó de que fora feito.
Vivi meus três caminhos na terra.
Purgatório. Inferno. Céu.
Tudo de acordo com meus projetos,
Minhas atitudes,
Procurando não reincidir nos mesmos erros.
Agora - vago e espero
Entre ápodos e flagelos
O ressurgir da verdade.

Rabindranath Tagore






Sei que um dia há de vir em que perderei de vista esta terra, e a vida há de despedir-se em silêncio, correndo sobre os meus olhos a derradeira cortina. No entanto, as estrelas hão de vigiar de noite, e a manhã há de erguer-se como antes, e as horas hão de engrossar como ondas do mar carregando prazeres e mágoas.
Quando penso nesse fim dos meus instantes, rompe-se o dique dos instantes e vejo, à luz da morte, o teu mundo com os seus descuidosos tesouros. Aí, o mais humilde pouso é precioso, e é preciosa a mais obscura das vidas.
Coisas por que em vão suspirei e coisas que alcancei - passem todas! Possa eu possuir de fato apenas as coisas que sempre rejeitei e desdenhei.


Rabindranath Tagore

O amanhã pertence a nós!
Ó Sol, levanta-te sobre os corações que sangram
E desabrocham como flores na manhã,
E também sobre o banquete do orgulho,
Ontem iluminado por tochas, e hoje reduzido a cinzas.

  Rabindranath Tagore



“A mesma corrente vital que atravessa o mundo
percorre minhas veias dia e noite em compasso rítmico.
É a mesma vida que irrompe alegremente
do pó da terra em incontáveis explosões de flores”. 
 
 
Rabindranath Tagore


Não me deixe rezar por proteção contra perigos,
mas pelo destemor em enfrentá-los.
Não me deixe implorar pelo alívio da dor,
mas pela coragem de vencê-la.
Não me deixe procurar aliados na batalha da vida,
mas minha própria força.
Não me deixe suplicar com temor aflito para ser salvo,
mas esperar paciência para merecer a liberdade.
Não me permita ser covarde,
sentindo sua clemência apenas no meu êxito,
mas me deixe sentir a força da Sua mão quando eu cair. 

 
Rabindranath Tagore







Minha canção te envolverá com sua música,
como os abraços sublimes do amor.
Tocará o teu rosto como um beijo de graças.

Quando estiveres só, se sentará ao teu lado
e te falará ao ouvido.
Minha canção será como asas para os teus sonhos
e elevará teu coração até o infinito.

Quando a noite escurecer o teu caminho,
minha canção brilhará sobre ti como estrela fiel.
Se fixará nos teus lindos olhos e
guiará teu olhar até a alma das coisas.

Quando minha voz se calar para sempre,
minha canção te seguirá em teus pensamentos. 
 

Rabindranath Tagore (1861-1941)


Como as gaivotas e as ondas se encontram,
nos encontramos e nos unimos.
Vão-se as gaivotas voando,
vão pairando sobre as ondas;
e nós também vamos.
Se de noite choras pelo sol,
não verás as estrelas.
A luz do sol me saúda sorrindo.
A chuva, sua irmã triste, me fala ao coração.
Se faço sombra em meu caminho,
é porque há uma lâmpada em mim que ainda não foi acesa.
Teu sol sorri nos dias de inverno de meu coração,
e não duvido jamais das flores de tua primavera.

Rabindranath Tagore (1861-1941)
 Sophie Gengembre Anderson - VoleI na Mist


“Não é possível dizer-te sempre coisas novas,
nem te é necessário ouvi-las.
O que importa é que sejas sempre novo,
que te desprendas cada dia do homem-velho,
e que cada dia tornes a nascer”.

Santo Agostinho (354-430)




Quero apenas cinco coisas.
Primeiro é o amor sem fim.
A segunda é ver o outono.
A terceira é o grave inverno.
Em quarto lugar o verão.
A quinta coisa são teus olhos.
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera
para que continues me olhando.

Pablo Neruda




Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,
E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

Pablo Neruda



Quero apenas cinco coisas.
Primeiro é o amor sem fim.
A segunda é ver o outono.
A terceira é o grave inverno.
Em quarto lugar o verão.
A quinta coisa são teus olhos.
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera
para que continues me olhando.

Pablo Neruda
Van Gogh
 
Quero saber se você vem comigo
a não andar e não falar,
quero saber se ao fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objeto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como o faziam os colonizadores
trocando baralhinhos por silêncio.
Pago eu aqui por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
com uma condição: não nos compreender.

Pablo Neruda




Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou seta de cravos que propagam o fogo:
amo-te como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Amo-te como a planta que não floriu e tem
dentro de si, escondida, a luz das flores,
e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo
o denso aroma que subiu da terra.

Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,
amo-te diretamente sem problemas nem orgulho:
amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,

A não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és,
tão perto que a tua mão no meu peito é minha,
tão perto que os teus olhos se fecham com meu sono.

Pablo Neruda (1904-1973)



... e minha alma baila ferida
Quem chama?
Que silêncio povoado de ecos?
Hora da nostalgia,
Hora da alegria,
Hora da solidão.
Minha hora entre todas!... 
 
Pablo Neruda




Este tempo,
esta taça,
esta terra são teus.
Conquista-os e escuta
como nasce a aurora. 

Pablo Neruda (1905-1973)


Uma rota de sol
e uma luz,
e um roseiral.
Nada mais eu pedia
e naquela inquietude
pousaram as sedas de minha branda canção.

Uma luz me veio
e um rosal floresceu
e como uma promessa que nunca vai chegar
pestaneja distante meu caminho de sol...

A luz boa me guia pelo caminho estéril,
o rosal se faz rosas, roseiral em flor
e os pássaros chegam
para ouvir o meu canto.

Cantei quando os pássaros quiseram me ouvir
(os pássaros se foram como sempre se vão)
então meus roseirais
dão a minhas canções cheiro de solidão.

Pablo Neruda (1905-1973)
Tradução de: Thiago de Mello




Que nome tem uma flor
Que voa de pássaro em pássaro? 

Pablo Neruda - "Livro das Perguntas".



No amor tudo é mistério: suas flechas e sua aljava, sua chama e sua infância eterna. Mas por que o amor é cego?
Aconteceu que num certo dia o Amor e a Loucura brincavam juntos. Aquele dia ainda não era cego. Surgiu entre eles um desentendimento qualquer. Pretendeu então o Amor que se reunisse para tratar do assunto o conselho dos deuses. Mas a loucura, impaciente, deu-lhe uma pancada tão violenta que lhe privou a visão.
Vênus, mãe e mulher, pôs-se a clamar por vingança, aos gritos. E diante de Júpiter, Nêmesis – a deusa da vingança – e de todos os juízes do Inferno, Vênus exigiu que aquele crime fosse reparado. Seu filho não podia ficar cego.
Depois de estudar detalhadamente o caso, a sentença do supremo tribunal celeste consistiu em condenar a Loucura a servir de guia do Amor.

Jean de La Fontaine




Tu eras também uma pequena
folha que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi:
não soube que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

Pablo Neruda (1905-1973)